quinta-feira, 29 de maio de 2008

A Construção das Catedrais Góticas dão Origem à Maçonaria Moderna

  • A Construção das Catedrais Góticas dão Origem à Maçonaria Moderna


    O contacto havido com a cultura dos povos árabes, judeus e cristãos ortodoxos Orientais do Império Bizantino, proporcionou aos Cavaleiros Templários uma visão do mundo mais alargada e mais consentânea com a realidade deste, até então, limitada ao cristianismo católico romano, que durante a Idade Média, não admitia qualquer conhecimento diferente do que preconizavam os doutores da Igreja, e quem arguisse sobre este, corria sérios riscos de sofrer os suplícios da Santa Inquisição.

    Todavia, mesmo o conhecimento do sagrado, pode ter várias interpretações, nomeadamente: a do Iniciado, que conhece os mistérios, e a do profano, que observa os símbolos sem conhecer o seu significado. Em face deste princípio, pensa-se que o conhecimento Templário se dividia numa sabedoria exotérica e numa sabedoria esotérica. Porém, este último saber, somente estava reservado a alguns membros da Ordem do Templo e, provavelmente, a uma Ordem Interna, dentro da Ordem Externa, à qual só podiam pertencer membros escolhidos por um núcleo muito restrito e secreto da primeira, que sob juramento de absoluto sigilo e de cega obediência, em rituais secretos, obtinham a sua filiação. Aliás, até é muito provável, que alguns membros desta restrita Ordem Interna tivessem sido Iniciados nas escolas de mistério do Oriente, onde por certo, lhes foi revelada a sabedoria secreta do passado, que muito contribuiu, para o saber Templário nas diversas disciplinas do conhecimento e, principalmente o da Arquitectura.

    Na verdade, nos Estados que lhes deram abrigo, os Templários foram conhecidos, tanto como disciplinados e temidos guerreiros, como por grandes construtores, dado que nesses territórios construíram castelos fortificados, portos, pontes, estradas, celeiros e moinhos, bem como alojamentos para as suas tropas, estábulos e oficinas e até mesmo fundaram povoações, como foi o caso de em Portugal: Castelo Branco e Tomar. Aliás, muitas cidades históricas devem a sua fundação aos Cavaleiros do Templo. Diversas ruínas situadas tanto no Sul da Europa, como na Palestina, demonstram ainda hoje, porque razão os Cavaleiros Templários eram conhecidos como grandes engenheiros construtores, também conhecidos por “Fratres Salomonis”.

    Assim, por consequência de terem dirigido os trabalhos de construção nas mais variadas obras públicas, ou simplesmente por terem exercido a função de Mestres com funções de supervisão destas obras, com a inerente competência de instrução dos Aprendizes maçons. Muitos Cavaleiros Templários receberam também a Iniciação de Companheiros maçons, tornando-se deste modo e, ao mesmo tempo, Cavaleiros Guerreiros e, Companheiros da Arte Real. Como prova concreta desta dualidade de qualidades, temos o facto de na cidade de Metz, ter havido uma fraternidade de Maçons que se reunia na Comendadoria dos Templários.

    Por outro lado, sabe-se que pelo facto dos obreiros da Arte Real servirem a Ordem do Templo, recebiam como contrapartida, o reconhecimento de serem artesãos de mestres francos, ficando por isso isentos de muitos impostos, ao mesmo tempo que gozavam de imunidades, que lhes permitia viajar e exercer livremente o seu ofício, o que naquela época acontecia ciclicamente, por motivo das guerras, calamidades e flagelos, o que levava à interrupção das construções. Assim, o livre trânsito destes maçons entre os diversos Estados da Europa, permitiu-lhes ganhar o nome de franc-maçons, ou de pedreiros livres, cujas associações, confrarias, ou grémios destes acabaram por vir a ser o alicerce da Maçonaria que hoje conhecemos.

    Na verdade, por consequência da acção da “Santa Inquisição”, após a aparente dissolução da Ordem do Templo, as Confrarias de Pedreiros transformaram-se no abrigo seguro para muitos Cavaleiros Templários. Pelo que a aparente ligação da Maçonaria à Ordem do Templo tem sido aceite por muitos conceituados investigadores, não apenas na qualidade de iniciadora, mas também como depositária das principais tradições. Claro, que não foram somente os Cavaleiros Templários a procurarem abrigo nas Confrarias de Pedreiros, uma vez que todos os que tinham justos motivos para se ocultarem dos rigores da Igreja o pretenderam fazer, como foram os Rosacruzes, Alquimistas, Pitagóricos, Astrólogos, Cabalistas.... , contribuindo cada um deles para o caldeirão da cultura maçónica.

    Outro marco importante para atribuirmos a origem Templária na Maçonaria, é o facto das Catedrais góticas esconderem na sua arquitectura mistérios que estão muito para além do culto cristão, mais consentâneos com os cultos sagrados pagãos, o que nos leva a supor, que os construtores destes belos Templos de pedra talhada, eram Iniciados nos antigos cultos esotéricos e, deste modo, parece que os obreiros da arte real tinham um evidente relacionamento com os Cavaleiros Templários. Aliás esta hipótese é reforçada, pelo facto da pedra considerada como fundamental em toda a construção de uma Catedral gótica, ser um cubo, no qual, segundo a lenda, os construtores faziam inscrições misteriosas, orações e desenhos cujo significado era somente do seu conhecimento. Ritual, que nos leva a associá-lo à pedra cúbica dos Templários e à dos Maçons.

    Porém, se dúvidas tivesse-mos da influencia Templária na Maçonaria, basta-nos procurar no ornamento das Lojas o legado Templário e, de certo, sem dificuldade, encontramos a cruz pátea em muitos estandartes e brasões destas, os losangos negros e brancos que derivam da sua bandeira, a orla dentada, a bandeira de guerra marítima com a caveira e duas tíbias cruzadas, bem como diversas tradições Templárias que impregnegam muitos ritos maçónicos, como seja:

  • No Rito Escocês Rectificado – Encontramos um rito nitidamente ligado à "Tradição Templária" e à "Gnose Cristã". Aliás, este Rito é aquele que mais próximo está da Maçonaria Operativa de origem Medieval;
  • No Rito Sueco – Encontramos toda a Maçonaria nórdica, que segue este ritual, a afirmar ter a sua descendência nos Templários;
  • No Rito de Menfis-Misraim – Também se reconhece a proveniência Templária do rito;
  • No Rito de York (Americano) – Encontramos os seus Altos Graus, a culminam no Grau de Grão Cavaleiro Templário;
  • No Rito Escocês Antigo e Aceite – Dos trinta e três graus, existem vários graus dedicados aos Templários;
  • No Rito Inglês - ou de Emulation, Encontramos a Lenda Templária retratada.

    Em suma, tanto através dos seus símbolos, lendas, costumes e tradições, a Maçonaria não esqueceu as suas origens Templárias.

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