O Esoterismo de uma Catedral Gótica
Numa Catedral gótica, encontramos bizarras figuras que se agarram aos pináculos, que se colam aos arcobotantes, que se prendem aos frisos de pedra talhada, que se suspendem nas abóbadas, e até se escondem nos mais recondidos nichos e recantos sombrios, que pela sua profusão e simbolismo, parecem contradizer o fim para que aquelas jóias da arquitectura foram edificadas, uma vez que fazem parte integrante da decoração de uma Catedral gótica, uma panóplia de figuras que bem poderiam ser consideradas sacrílegas, ou heréticas, que vão desde as horrendas gárgulas, até aos ameaçadores dragões alados e aos vampiros de aspecto assustador, passando pelos misteriosos ciclopes, até às figuras que entroncam e dão vida aos contos e às lendas da mitologia celta, como sejam as figuras do homem verde e do seu deus “Pan”, que por ter sido apresentado aos cristãos, libidinoso e efusivo figurante em ritos por estes considerados de deboche e de libertinagem, durante muito tempo, por eles foi confundido com o próprio demónio cristão.
Todavia, apesar desta figura metade homem e metade bode, semelhante a muitas representações do “Bafomé” dos Templários, causar ao homem medieval calafrios e medos justificados, para nossa grande surpresa, não deixou de ornamentar com destaque, os frisos dos pórticos da maioria das Catedrais góticas. Pelo que esta figura de aspecto horripilante, tal como o símbolo Templário de que muito se assemelha, parece ter sido ali colocado, para transmitir ao Iniciado, que transpõe o pórtico da Catedral gótica, de que está a entrar num espaço sagrado, que o transcenderá à essência Divina e, que de certo modo, uma vez catapultado para essa dimensão cósmica, se confundirá com o próprio Deus.
Todavia, para além desta criativa e surpreendente estatuária de aspecto horripilante e sacrílego, convivem lado a lado com estes monstros, uma fauna não menos bizarra e peculiar, uma vez que apesar de ser considerada pela cristandade medieval, maldita e pagã, não deixaram de ornamentar estes colossos símbolos da fé cristã. É o caso do grifo, que é uma figura mitológica meio leão, meio águia, e que a antiga Igreja considerava ser o invólucro do demónio; ou até mesmo o cavalo, por esta Igreja considerado ser a montada das forças das trevas; e muitos outros animais considerados por esta malditos e impuros, fazem parte integrante da decoração das Catedrais góticas, como por exemplo: o bode, que para aquela Igreja era o símbolo da luxúria; a loba, que considerava ser o símbolo da avareza; o tigre, que considerava ser o símbolo da arrogância; o escorpião, considerado ser o símbolo da traição; o leão, considerado ser o símbolo da violência; o corvo, considerado ser o símbolo da malícia; a raposa, considerada ser o símbolo da heresia; a aranha, considerada ser o símbolo do diabo; o sapo, considerado ser o símbolo do pecado, e muitos outros animais com conotações sacrílegas ou perniciosas.
Para além desta intrigante e peculiar fauna, fazem parte da decoração de algumas Catedrais góticas, os símbolos alquímicos, andróginos, hermafroditas e também os símbolos que representam a eterna busca da juventude pelo homem, os quais, pelo menos em duas Catedrais, estão bem explícitos e muito visíveis. Um na Catedral de Chartres, numa gravura, onde está representada a rainha de Sabá exibindo uma barba, e outro na Catedral de Nantes, onde também numa gravura, está representada uma figura de um homem que aparente estar na flor dos anos, a olhar para um espelho, cuja parte posterior da cabeça é a de um homem que já viu e suportou bastantes invernias.
Na verdade, os símbolos alquímicos, que foram muito do agrado dos Cavaleiros Templários, em todos os tempos têm sido considerados a fonte inesgotável de conhecimentos que prolongam a vida, e o cerne da longevidade, se não mesmo o segredo da verdadeira imortalidade física. E, por terem sido incluídos na decoração das Catedrais góticas, descortinam a pretensão que estes Cavaleiros tinham em quererem alcançar o último poder, o poder da imortalidade.
Um outro elemento integrante na decoração de uma Catedral gótica, não menos surpreendente e intrigante, e que por sinal, também foi muito do agrado e apreço dos Cavaleiros Templários, são as misteriosas e enigmáticas Rosáceas, as quais são a primeira representação luminosa da transfiguração, a “roda” para os alquimistas, e o livro pintado para o ensino do sagrado através da arte vitral, onde, tanto estão representadas as principais cenas da história da Igreja, como estão representados os episódios mais marcantes do Antigo e do Novo Testamento, recurso gráfico, que permitiu aos crentes aprender o sagrado, mesmo que não soubessem ler nem escrever.
Na verdade, com uma panóplia de estatuária bizarra e enigmática, a Catedral gótica transforma-se num grande livro de pedra talhada, que transmite aos crentes uma mensagem exotérica, e aos iniciados uma mensagem esotérica. Porém, do que este monumento sagrado ensina, nada poderá ser considerado mais laico, e pela profusão da estatuária esguia que nos olha de cima, nada poderá ser considerado mais humano.
Numa Catedral gótica, encontramos bizarras figuras que se agarram aos pináculos, que se colam aos arcobotantes, que se prendem aos frisos de pedra talhada, que se suspendem nas abóbadas, e até se escondem nos mais recondidos nichos e recantos sombrios, que pela sua profusão e simbolismo, parecem contradizer o fim para que aquelas jóias da arquitectura foram edificadas, uma vez que fazem parte integrante da decoração de uma Catedral gótica, uma panóplia de figuras que bem poderiam ser consideradas sacrílegas, ou heréticas, que vão desde as horrendas gárgulas, até aos ameaçadores dragões alados e aos vampiros de aspecto assustador, passando pelos misteriosos ciclopes, até às figuras que entroncam e dão vida aos contos e às lendas da mitologia celta, como sejam as figuras do homem verde e do seu deus “Pan”, que por ter sido apresentado aos cristãos, libidinoso e efusivo figurante em ritos por estes considerados de deboche e de libertinagem, durante muito tempo, por eles foi confundido com o próprio demónio cristão.
Todavia, apesar desta figura metade homem e metade bode, semelhante a muitas representações do “Bafomé” dos Templários, causar ao homem medieval calafrios e medos justificados, para nossa grande surpresa, não deixou de ornamentar com destaque, os frisos dos pórticos da maioria das Catedrais góticas. Pelo que esta figura de aspecto horripilante, tal como o símbolo Templário de que muito se assemelha, parece ter sido ali colocado, para transmitir ao Iniciado, que transpõe o pórtico da Catedral gótica, de que está a entrar num espaço sagrado, que o transcenderá à essência Divina e, que de certo modo, uma vez catapultado para essa dimensão cósmica, se confundirá com o próprio Deus.
Todavia, para além desta criativa e surpreendente estatuária de aspecto horripilante e sacrílego, convivem lado a lado com estes monstros, uma fauna não menos bizarra e peculiar, uma vez que apesar de ser considerada pela cristandade medieval, maldita e pagã, não deixaram de ornamentar estes colossos símbolos da fé cristã. É o caso do grifo, que é uma figura mitológica meio leão, meio águia, e que a antiga Igreja considerava ser o invólucro do demónio; ou até mesmo o cavalo, por esta Igreja considerado ser a montada das forças das trevas; e muitos outros animais considerados por esta malditos e impuros, fazem parte integrante da decoração das Catedrais góticas, como por exemplo: o bode, que para aquela Igreja era o símbolo da luxúria; a loba, que considerava ser o símbolo da avareza; o tigre, que considerava ser o símbolo da arrogância; o escorpião, considerado ser o símbolo da traição; o leão, considerado ser o símbolo da violência; o corvo, considerado ser o símbolo da malícia; a raposa, considerada ser o símbolo da heresia; a aranha, considerada ser o símbolo do diabo; o sapo, considerado ser o símbolo do pecado, e muitos outros animais com conotações sacrílegas ou perniciosas.
Para além desta intrigante e peculiar fauna, fazem parte da decoração de algumas Catedrais góticas, os símbolos alquímicos, andróginos, hermafroditas e também os símbolos que representam a eterna busca da juventude pelo homem, os quais, pelo menos em duas Catedrais, estão bem explícitos e muito visíveis. Um na Catedral de Chartres, numa gravura, onde está representada a rainha de Sabá exibindo uma barba, e outro na Catedral de Nantes, onde também numa gravura, está representada uma figura de um homem que aparente estar na flor dos anos, a olhar para um espelho, cuja parte posterior da cabeça é a de um homem que já viu e suportou bastantes invernias.
Na verdade, os símbolos alquímicos, que foram muito do agrado dos Cavaleiros Templários, em todos os tempos têm sido considerados a fonte inesgotável de conhecimentos que prolongam a vida, e o cerne da longevidade, se não mesmo o segredo da verdadeira imortalidade física. E, por terem sido incluídos na decoração das Catedrais góticas, descortinam a pretensão que estes Cavaleiros tinham em quererem alcançar o último poder, o poder da imortalidade.
Um outro elemento integrante na decoração de uma Catedral gótica, não menos surpreendente e intrigante, e que por sinal, também foi muito do agrado e apreço dos Cavaleiros Templários, são as misteriosas e enigmáticas Rosáceas, as quais são a primeira representação luminosa da transfiguração, a “roda” para os alquimistas, e o livro pintado para o ensino do sagrado através da arte vitral, onde, tanto estão representadas as principais cenas da história da Igreja, como estão representados os episódios mais marcantes do Antigo e do Novo Testamento, recurso gráfico, que permitiu aos crentes aprender o sagrado, mesmo que não soubessem ler nem escrever.
Na verdade, com uma panóplia de estatuária bizarra e enigmática, a Catedral gótica transforma-se num grande livro de pedra talhada, que transmite aos crentes uma mensagem exotérica, e aos iniciados uma mensagem esotérica. Porém, do que este monumento sagrado ensina, nada poderá ser considerado mais laico, e pela profusão da estatuária esguia que nos olha de cima, nada poderá ser considerado mais humano.
1 comentário:
Sem dúvida um belíssimo texto, repleto de beleza interior e de conhecimento metafísico.
José Manuel Antunes
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